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12.2.10

Manual de Sabotagem: limpeza

A preocupacao de todo empresario do ramo de alimentacao nao e' necessariamente com a limpeza, mas com a fiscalizacao da vigilancia sanitaria, o que pode ocasionar a perda de sua licenca. Entao, tenta manter o padrao exigido atraves do treinamento no dia-a-dia de seus funcionarios sobre como e o que deve ser limpo. O desempenho das tarefas e' um processo repetitivo que aos poucos vai sendo assimilado, e por fim, se torna rotina. Ah, isso e' muito facil, e' trabalho bracal mesmo, pensava Garcia. E mais uma vez, como a confianca mutua ja' era denominador comum, o patrao nao realizava uma fiscalizacao tao rigida sobre seu cozinheiro. Enquanto estivesse aparentemente ganhando dinheiro, certas prioridades passavam para o segundo plano. E como a fiscalizacao da vigiliancia sanitaria era um acontecimento virtual, Garcia poderia relevar a limpeza. Ela seria feita, mas somente para os "olhos" do patrao.

10.2.10

Manual de Sabotagem: introdução

A introducao de maquinas nas fabricas durante a revolucao industrial foi um processo lento e doloroso para os trabalhadores. Primeiro porque substituia o trabalho manual pelo mecanico, e principalmente porque diminuia drasticamente o numero de trabalhadores nas fabricas. Isso gerava mais lucros para os capitalistas, e tambem lhes dava mais poder de compra de "estoque humano". Ou seja, os empresarios podiam pagar menos, logicamente porque a oferta de trabalho estava diminuindo. A mesma fabrica que antes empregava 500 trabalhadores, agora emprega somente 250. O que faziam os desempregados, entao? Caiam literalmente na rua da amargura. Dai' surgiu a palavra "sabotagem" que e' derivada de "sabot", tamanco ou sapato em frances. Esse movimento surgiu inesperadamente na Franca, quando os trabalhadores alienados jogavam seu sapatos na engrenagens das maquinas, provocando a quebra, e logico, perda de lucros. Garcia foi convocado para fazer um servico de sabotagem moderna, ou guerra de inteligencia. Teria que trabalhar na cozinha de um restaurante durante um ano para escrever um manual de como acabar com o lucro alheio atraves da exploracao capitalista. A intencao era fazer um compendio de acoes pontuais para destruir um empreendimento capitalista, no caso um restaurante. Essa ideia era da ala mais radical do partido. Garcia foi contratado para trabalhar como cozinheiro. O plano seria primeiramente ganhar a confianca do patrao. Isso seria ate' natural, pois dentro do processo de supervisao de seu trabalho, ele estaria dando sempre o exemplo de perfeicao. Por exemplo, a condicao sine qua non de qualquer empresario e' a maximizacao dos lucros, cortando os custos. Na preparacao de sanduiches existia uma tabela. Tres roledas de tomate, uma colher de cha de maionese, duas fatias de bacon, e uma folha de alface. A confianca seria justamente conquistada porque o patrao ao fiscalizar o trabalho de seu empregado, ficava impressionado com o desempenho perfeito da tarefa. Depois de algum tempo, quando ja' criado o elo mutuo, a fiscalizacao que antes se fazia necessaria, agora nao existe. Por que? Ele e' exemplar! Pois a partir dai' que o terrorismo comecava. A unica condicao do manual seria que todo ato terrorista seria provocado em beneficio do consumidor. Aquele mesmo sanduiche que tinha um custo de producao de 5 Reais com as mesmas rodelas de tomate, continuava o mesmo preco. Mas, agora, poderia variar de acordo com o humor do terrorista. Mas como quase sempre estava mal-humorado, agora, o mesmo valor acomodava 8 rodelas de tomate, 4 fatias de bacon, 1 colher de sopa de maionese, e 3 folhas de alface. Virava um super sanduiche pelo mesmo preco final ao consumidor. O patrao veria seus clientes felizes, sempre comprando mais, mas nao entenderia porque seus lucros estariam diminuindo! O exemplo acima citado foi somente uma das acoes pontuais que Garcia estaria realizando para escrever o "Manual de Sabotagem" do Partido Comunista. Outras serao desenvolvidas no decorrer de seu trabalho naquele restaurante.

2.1.10

República dos Pampas

Algum tempo depois de construir os alicerces da nacao, Wonderland comecou a sofrer turbulencias provocadas por grupos paramilitares que nao queriam fazer parte da federacao. O primeiro acontecimento em sua cronologia foi marcado por um movimento guerrilheiro no Acre, patrocinado pelos americanos, que almejava a criacao da Fordlandia. A intervencao federal, apesar de tardia, conseguiu apagar a faisca que poderia gerar uma guerra. E os Soldados da Borracha foram indispensaveis para tal empreitada. Agora, um grupo separatista germinava na parte sul do pais. Um antigo Centro de Tradicoes Gauchas (CTG) se tranformou no Movimento Revolucionario dos Pampas (MRP) que buscava a independencia da regiao. Logo, a noticia foi parar no Comite Central do Partido Comunista. Precisavam investigar as causas, e principalmente os objetivos do grupo rebelde.

18.12.09

Wonderland X Neverland (English Version)

On Sunday, there were two intriguing ads on the newspaper inviting immigrants to settle down on distant lands. Although, one of them was 46 years older than the other, they were historically considered young nations with some similarities. Both were federal constitutional republics and had huge territories. In Neverland, a concession of 16 acres was given to any immigrant. Besides the right to use the land for the first 5 years before being finally the proprietor of it, the newcomers had paved roads, public light system, rail roads, and everything else to build up small networks to supply the big centers. The train would come once a week to collect the local production and deliver it to the capital of each State. The rail road had been privatized for 10 years already, so there were no delays anymore. The Neverland Bank  also offered very attractive long-term loans.

24.10.09

Wonderland X Neverland

Garcia abriu o jornal de domingo na secao dos classificados e viu dois anuncios: um dizia para vir morar na "Neverland" e o outro na "Wonderland". O primeiro era tentador, entretanto exigia muita motivacao, e esforco para iniciar as obras. Era um pais distante que buscava imigrantes para povoar seu territorio, e para tanto, oferecia 16 hectares de terra, vias publicas, iluminacao e estradas de ferro ja' montadas para o abastecimento dos grandes centros. O restante seria pago com os impostos publicos gerados pela receita do trabalho humano justamente advindo desse loteamento. Nos primeiros 5 anos, o imigrante teria somente o direito de posse sobre o terreno, e depois somente seria seu proprietario. O trem passava uma vez por semana para recolher a producao local, e levar ate' a capital do Estado. A estrada de ferro havia sido privatizada ha' 5 anos, e portanto, o escoamento da producao nao sofria interrupcoes ja' ha' algum tempo. O "Neverland Bank" oferecia emprestimos a longo prazo com taxas fixas. Aos poucos foi-se formando uma comunidade de nome estranho, Quakers, que foi, inclusive construindo suas proprias escolas. Depois chegava a vez da "Wonderland". Era um pais das mesmas proporcoes, mas com incentivos distintos. O imigrante recebia uma doacao vitalicia de um latifundio. Em contrapartida, teria que fazer um investimento inicial para comecar , de imediato, uma producao em grande escala e em sistema de "plantation". O banco local oferecia emprestimos a juros baixos, e o pagamento poderia ser feito tanto em especie como em "commodities". Nessa modalidade, o novo residente deveria estar preparado para seu novo sistema produtivo e tudo seria em grandes proporcoes, alem, claro, de voltado para o mercado exterior. Portanto, como quase toda producao seria voltada para fora, o Governo ofereceria milhares de incentivos fiscais para a importacao de produtos, inclusive humanos (escravos). Nao haviam estradas pavimentadas, iluminacao publica, nada. Os navios ancoravam nos portos uma vez por mes para recolher a producao local e trazer os produtos importados para abastacer as fazendas. Apos 10 minutos cocando a cabeca, Garcia pegou o jornal e foi correndo ate' o comite central do Partido Comunista. Aquilo tudo foi demais para sua inteligencia! Queria saber se algum daqueles paises teria alguma caracteristica "socialista" que poderia ser utilizada para desencadear uma revolucao, pois entao, estaria imediatamente emigrando para um deles para incitar as massas populares! Ele chegou no velhinho barbudinho, presidente do partido, sentado, que respondeu: pega um cidadao de "Neverland" e coloca para passar uma temporada em "Wonderland" que ele vai te dizer em dois tempos...

20.7.09

Os Novos Ricos

Era uma tarde de quinta-feira quando Garcia recebeu um telefonema do Partido. Foi convocado para fazer uma pesquisa sobre a ascensao dos Novos Ricos. Mas quem sao os Novos Ricos? Pensou de imediato. Se fossem pelo menos os "Velhos Ricos", a escoria da sociedade, filhos da corrupcao, aqueles que enriquecem levianamente, seria muito mais facil identifica-los. Mas nao, o Partido deixou bem claro: queremos os novos! Foi ate' seu quarto para colocar a vestimenta e sair a campo: calca jeans, botas pretas e camiseta vermelha. A pesquisa tinha que ser completa, e por isso, comecar por baixo. Nada melhor do que o figado! Foi ate' as lojas de bebidas alcoolicas e descobriu que a vendas de vinhos e espumantes decuplicaram nos ultimos 5 anos. Nos restaurantes, o fato se confirmou. Depois, resolveu ir mais adiante ir passar no maior hospital privado da cidade e perceber que aumentou o registro de adolescentes em coma alcoolica. Garcia nao parava de tomar notas, pois no final teria que fazer um relatorio ao Comite Central. Caminhado dentro do hospital, ate' pensou em passar no setor de psiquiatria, mas ai' parou, pestanejou, e continuou. Os dados de suicidio precisaria, provavelmente, somente daqui uns 50 anos quando o ciclo economico entrasse em queda e os "novos ricos" fossem rebaixados de classe social. Na volta, passou numa livraria e comprou o livro "A Era dos Extremos" de Eric Hobsbawn para acrescentar a biblioteca do Partido.

4.6.09

The Latex Soldiers and Fordland

Garcia grabbed Sunday’s newspaper and read the headlines of an intriguing announcement which was definitely written for him, thought the enthusiastic young man. It was brief and concise but the idea was to join the ranks of a paramilitary group. The group was called “Latex Soldiers” and gathered by the Brazilian Army in order to combat a bunch of guerrilleros sponsored by Americans, interested on creating an independent country called Fordland in Acre State. The United States would finally have its share of the Amazon and also a lifetime supplier of latex for its automobile industry. Brazilian authorities had never encouraged a massive settlement towards Acre State to seal its “ownership”, but now the momentum was calling for it. Garcia wanted to be part of history! He was so excited that he didn’t even notice when the paper was on the floor in pieces. But lucky him he still had the phone number. Same day, he called and found out that a convoy was going to leave at midnight. Then, he started packing his personal items, the Manifest of the Communist Party, a pair of jeans, a red t-shirt of the Party, brushed his boots, and went straight to the bus terminal. There he was, happy in bus number 4. During the 3 days trip, he found out that 90 per cent of the soldiers were from the Northeast, Ceara State, who had previously made up their lives in Acre, but expelled by the guerrilleros. Garcia felt there was something else... All workers like him, aching hands, wrinkle faces, old young men. Fighting for Brazil, or simply looking for a spot to work and a little piece of land to raise up a family? No, it can’t be that “dry”! No idealism?!?! Garcia couldn’t imagine something without passion or idealism, he was a romantic communist! So, he had a mission, and it would be to show all those soldiers that there is something greater in that trip. It can’t be just “that”. Come on, a “Gringoland” is about to be formed! It could be at least a revolution! Garcia was predicting and daydreaming about his revolution: “In days of war when we feel union and share the little, an idealism is necessary to keep the cohesion. And this idealism is the Brazilian Communism!” He had 72 hours to light the fire of “passion”. On the first day, he highlighted the importance and why they would be traveling so far away representing Brazil in order to protect and reinforce Brazilian sovereign power over its territory. The Latex Soldiers and the Army would be expelling the guerrilleros for good. After that, national banks would be giving easy access to mortgage in order to quickly increase the Brazilian occupation of the State. Garcia had to know the exact timing for the explanations and that was mostly when all buses were having a pit stop together at a gas station or any convenience store on the way. Little by little, he was captivating his audience. The soldiers were finally ready for the second day of lecture. Once more he started his speech: “My comrades, we are going to Acre because we have a mission. And this mission is to expel the guerrilleros hired by the gringos! We will do it always stepping forwards because there is no “backwards”. There is only a way to do it: win or die! Then, he could hear in unison: Viva Acre! Garcia stepped down from boxes he had piled and started to speak with a different tone of voice. He explained that, once the territory was finally Brazilian and after the wave of excitement, the government would come with taxes. That would be also necessary to keep a permanent military base to protect them. What a surprise, the soldiers thought at a first glance. They started talking to each other. They were not real soldiers and were not really interested in keeping a military base in the area. More taxes? But if the taxes were going to be for the welfare of the community, so let it be. Protect and serve, that should be the public service, they thought. All of them went back to their buses. After 60 hours of traveling, and before getting to the final destination, Garcia asked the driver for a last stop. He said: Comrades, we are going to Acre in order to expel the guerrilleros and cease the Americans’ Gringoland! We shall win! There is only a way to do it: win or die! Again, a “Viva Acre” could be heard in unison. Now, Garcia knew he had to use a stronger tone of voice considering how dangerous a guerrilleros victory would be for the future of Acre. Next stage, if Fordland existed would be the most cruel in their history and probably in Brazilian, ever. Latex workers would have to work to big factories in order to survive, which means they wouldn’t be able to be self-employed but be employed by capitalists! After this speech, he thought he had finally sparked the flame of passion on those workers. The 10 buses arrived in Acre and all they needed was only 5 days to vanish the enemies from the map. As a reward, Brazilian government granted each soldier a house and a job. One year later, back to his daily routine as a bus driver, Garcia got back home and found in his mailbox a postcard. There was a picture of a large scale production plant and it said: “My dear friend, at the end, the Great company Ford came to the city because Brazilian government conceded to them 20 years exemption of taxes. But hey, I think you were wrong about this incredible company. Before they came, I was just a latex worker, but now I work for FORD and make 100 dollars to work 50 hours a week!

30.5.09

Os Soldados da Borracha e a Fordlandia

Garcia abriu o jornal de domingo e encontrou uma chamada que parecia feita para ele, pensou o entusiasmado rapaz. Buscava, melhor dizendo, recrutava pessoas interessadas em juntar-se aos “Soldados da Borracha”. Esses paramilitares foram convocados pelo governo brasileiro para combater grupos guerrilheiros patrocinados pelos americanos, interessados em criar um pais independente chamado “Fordlandia” no Estado do Acre. A intencao dos Estados Unidos, alem de finalmente conseguir uma parte da amazonia, era ter um fornecedor vitalicio de borracha para sua industria automolistica. A presenca do governo brasileiro naquele Estado era muito deficiente, e por isso uma acao imediata deveria ser tomada. Garcia queria fazer parte da historia! Fechou o jornal com tanta forca que estracalhou o papel; mas por sorte ainda conseguiu ler o telefone de contato do anuncio. Nao perdeu um minuto. Telefonou e descobriu que haveria uma caravana de 10 onibus saindo no dia seguinte as 6 horas da manha. Pegou sua mochila, colocou seus itens pessoais, o Manifesto do Partido Comunista, separou seu jeans, sua camiseta vermelha do partido, escovou suas botas, e foi dormir. Na manha seguinte estava no onibus 4. No trajeto que demoraria 3 dias, descobriu que quase 90 por cento dos soldados eram cearenses, seringueiros, que tinha construido suas vidas no Acre, e que na verdade estavam voltando, porque tinham sido expulsos pelos guerrilheiros. Garcia comecou a ficar interessado na vida daquelas pessoas, todas como ele, trabalhadoras, maos calejadas, caras enrrugadas; jovens velhos. Lutando pelo Brasil, ou simplesmente buscando um cantinho para trabalhar e uma casinha para criar a familia? Nao, nao pode ser assim, tao seco! Sem idealismo! Pensou logo o apaixonado comunista. Comecou a pensar em uma maneira de como convencer aquelas pessoas todas de que existe algo maior, mais grandioso, naquela viagem. Nao podia ser somente “aquilo”. Afinal de contas uma “Gringolandia” estava a ponto de ser instaurada! Se fosse pelo menos uma revolucao comunista! De qualquer forma, sao nesses momentos de espirito guerreiro que a uniao e’ propagada, e por isso deveria haver um idealismo para manter a coesao, pensou Garcia. E esse papel estaria nas maos do Comunismo Brasileiro! Tinha 72 horas de estrada para tentar acender a chama da "paixao". No primeiro dia, ressaltou a importancia e o “por que” deles estarem indo ate’ tao longe em nome do Brasil para proteger e reassegurar o territorio em perigo. A presenca dos soldados da borracha e tropas federais estaria confrontando e expulsando os guerrilheiros para reafirmar a forca brasileira. Depois desse momento, o governo certamente estaria estimulando o financiamento de terras, a juros baixos, para aumentar a ocupacao territorial e aumentar a presenca brasileira no local. Garcia tinha que dar todas essas explicacoes nas paradas dos onibus para que todos pudessem ouvi-lo. Pareciam estar se interessando bastante. Estavam preparados para o segundo dia, pensou. Na parada do posto de gasolina, pediu ao motorista se poderia prolongar-se um pouco para poder falar com todos os soldados dos outros onibus tambem. Comecou seu discurso: meus camaradas, vamos ao Acre para expulsar os guerrilheiros contratados pelos gringos! E faremos com muita coragem, pois todos estamos unidos com unico objetivo: vencer ou morrer! Ouviu-se em unissono: Viva o Acre!!! Garcia desceu do palanque improvisado, e falando em voz menos impolgada comecou a explicar que depois desse primeiro momento, o governo estaria taxando tudo e todos para recuperar o tempo perdido naquele pedaco de terra esquecido. Ate mesmo porque seria condicao necessaria para mante-los protegidos; ou seja, para manter uma forca militar permanente na area. Foi ao banheiro. Comecou uma movimentacao estranha como se as pessoas tivessem sido pegas de surpresa. Estavam agora, um pouco perdidas… Mas ate’ ai tudo bem, pois afinal de contas, os impostos foram feitos para serem retribuidos em forma de bens publicos. Qual o problema? O papel do Estado e’ servir ao povo. E precisa de dinheiro para isso, pensaram as pessoas. Desde que seja justo, disse um mais empolgado. Todos entraram nos onibus e prosseguiram a viagem. Depois de 60 horas de viagem, antes de chegar no destino final, Garcia solicitou ao motorista uma parada. Camaradas, vamos ao Acre expulsar os guerrilheiros e impedir os americamos de instaurar a “Gringolandia” em nosso territorio! Juntos venceremos! Todos unidos em um unico objetivo: vencer ou morrer! Ouviu-se em unissono: Viva o Acre!!!! Novamente Garcia desceu do palanque improvisado e comecou a explicar em voz firme o perigo dos guerrilheiros vencerem. A etapa seguinte, se a “Fordlandia” fosse instaurada, seria a mais terrivel, pois os seringueiros teriam que vender suas forcas de trabalho para as grande empresas do local para sobreviver, e serao alienados. Nao trabalhariam mais para eles mesmos, mas para os grandes capitalistas! Depois desse ultimo discurso, sentiu que conseguiu finalmente apaixonar aquelas pessoas. Chegaram no Acre e arrasaram com os guerrilheiros em 5 dias. Como recompensa, o governo brasileiro ofereceu para cada soldado uma casa e um emprego. Um ano depois, ja’ no ritmo normal de sua vida de cobrador de onibus, ao chegar em casa, percebe em sua caixa de correspondecia um cartao postal com uma foto de uma linha de producao: Prezado amigo, no final, a grande empresa Ford acabou se instalando aqui, pois o governo brasileiro lhe concedeu isencao fiscal por 20 anos. Mas olha, acho que voce estava enganado sobre essa incrivel empresa. Antes eu era seringueiro, e ganhava pouquissimo. Agora, estou muito bem empregado e ganho 100 dolares por mes para trabalhar 50 horas por semana!

25.4.09

Boots

Garcia woke up this morning concerned about his life. Actually, he was wondering how he could fulfill his life in order to be a complete, a super satisfied "man". Maybe, this could be a general rule to humanity, he thought. It was his "soup of the day": to find the answer that was killing him from inside. Alright, he started walking to the University of Brasilia (UnB) where a lecture about The Age of Capital by Eric Hobsbawn was going to take place at the Department of Economics. All the time, scratching his left arm, thinking about "the answer", he couldn't come up to the end of it. However, walking down on the North Wing neighborhood of Brasilia, he saw a homeless begging for money... Stopped, stared that poor man for a while and turned right to watch a 12 years old girl selling candies at a stop light. That's it, I found my "soup of the day": everyone needs an occupation, something to do, a job! Garcia was so happy that he was being able to follow a track, but it was still too wide. It needed to be sharpened... A worker, for example, to be happy, needs a family, a house, a car; as anyone else. And in order to have all of this, he or she needs a job. But if he or she doesn't have a job, in first place, where is the money going to come from? Well, a "family" costs money, and "if" there is some leftover, maybe a car? Then, the successful worker can apply for a subprime mortgage and finally buy a house. The question is: Is it really what he or she wants? Hobsbawn said that the workers were taken apart from their primitive and family core. Extirpated, isolated, he became, again, Garcia. "The hairy" got back home, opened his closet, grabbed his boots and proudly screamed out the window: I am going to work today! Went out and slammed the door! But wait, he thought. Where am I going to work if I don't have I job? Well, my boots can bring me some good luck, who knows. In the Age of Capital, the author mentions the symbologies and social codes such as the worker hat, pants, boots, etc... Garcia, "the hairy", didn't have a job, a family, a house, a car, but at least, his boots!

9.4.09

Semana de Arte Moderna

Era um momento especial na historia brasileira que ficaria marcado para o resto de nossas vidas, ou pelo menos, pelo resto das vidas de um grupo seleto de pessoas que se diziam "modernas" e "autenticas": a Semana de Arte Moderna. Garcia tinha sido convocado pelo Partido para participar como "observador", pois no dia primeiro de maio estariam inaugurando o Comite Central Comunista no Brasil. Como a verba era curta para mandar um membro do Partido para a patria-mae fundadora do movimento revolucionario, Uniao Sovietica, e ate' entao, no pais nao existia nenhum ponto de referencia comunista, os camaradas ainda tinham que aprender com os burgueses brasileiros a instaurar um movimento "internacionalista". Que triste fim, imaginou de imediato o Garcia. Principalmente quando recebeu as instrucoes previas para se preparar, 5 dias antes do coloquio. Tinha que pesquisar sobre a vida do diplomata Graca Aranha, e ler seu livro chamado Canaa, pois ele estaria fazendo o discurso de abertura. Entretanto, no percurso de suas leituras foi descobrindo que tudo parecia mais internacionalista do que aparentava; o veu nacionalista era o lado populista, e como sempre, todo movimento - e o burgues nao poderia deixar de ser diferente - era, pelo menos, universalista. O Garcia se colocou na pele daquele diplomata engravatado que passou mais da metade de sua vida fora do pais, que escreveu um fabula de um imigrante alemao no sudeste do pais, e que vem fazer um discurso de abertura da "Semana de Arte Moderna", falando de "Antropofagia", e sei la' mais o que... Dizer que o Brasil tem que se voltar para "dentro de si", criar vontade propria, etc.... Existe mais contradicao do que isso?! Garcia olhou a programacao na cartilha e viu algo interessante: um tal de "coffee break". Opa, deve ser comida com cafe'. Vou encher a barriga e sair fora, pois estou de saco cheio desse papo de "Arte Moderna". Saiu do Teatro e avistou um jornal no chao: estava escrito 1922.

Personagens

Cassandra: tradutora que trabalha para importante editora especializada em livros de biografia e historia. Ela e' o tipo de pessoa que nao consegue se encaixar numa vida social normal; encontra, muitas vezes, no isolamente, sua fulga, e nos livros seu refugio.

Cassandra: a translator who works for an important publisher specialized in biography and history books. She is the kind of person who cannot fit in a normal social life; she finds, most of the times, in self-confinement,
her scape, and in books, her refuge.
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Napo: ex-filho de militar e roteirista de cinema cuja vida foi acabada pelo alcool e drogas. Esta' em constante conflito interno consigo mesmo: perturbado, afetado. Atualmente, vive de pensao do sindicato.

Napo: ex-military-kid and film screenwriter whose life was ruined by alcohol and drugs. He seems to be always in a long-lasting and permanent state of self-conflict. Nowadays, he lives from the Union's financial support.
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Garcia: cobrador de onibus e membro ativo do partido comunista. Possui ampla biblioteca particular sobre o tema, tornando-se inclusive referencia partidaria. As vezes, seu fanatismo torna-se tao paradoxo que passa a ser ate' mesmo romantico.

Garcia: bus driver and member of the communist party. He became a political reference in the party due to the large collection of books in his private library. Such a fanatic with paradoxical ideas that sometimes he is called "The Romantic".
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Franz: editor de guia artistico-cultural. Participa de projetos pelo mundo afora, geralmente patrocinado por ONG's para atualizar e trocar experiencias. Seu constante desafio e' nao deixar transparecer sua falta de sentimento "nacionalista".