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23.10.09

Até quando?

O passado de Napo: Era uma vez uma crianca que aos 11 anos cheirava lolo' em frascos de desodorante Rexona. Sua maior diversao era estar entre os mais velhos e poder desfrutar as essencias. Baunilha, menta, mas a preferida sempre era a de canela. Aos 14 anos foi induzida por seus "amigos" a beber ate' a embriaguez. Festa de reveillon, e como bebado sempre tem desculpa para tudo, pode fazer... A reconstituicao da "cena do crime" traz novamente a crianca com a tarja preta na cara para na ser identificada com outros individuos ao lado lhe incentivando a fazer palhacadas no meio da rua. Cambaleando, ela tenta tirar a roupa varias vezes, mas caia no chao. Normal? Logico. Para uma cultura onde beber comeca dentro de casa com os pais incentivando os filhos a beberem para serem "machos", esta' mais que certo. Aos 17 anos fumava maconha antes de ir ao colegio. Tinha tambem as saunas. Todo mundo se trancava dentro de um fusquete e fechavam os vidros; e ai' o vapor subia... Mas nunca gostou muito de fumaca. Dos 18 aos 21 anos foi sua fase de experimentacao. Comecou pingando colirio cicloplegico no nariz. Passou para o LSD depois ou antes, nao se lembra, de ler as "Portas da Percepcao" de Aldous Huxley. Ai' passou por um momento totalmente astral, e de descoberta interior. Pegou suas malas e foi morar no Alto Paraiso em Goias aos pes da Chapada dos Veadeiros. Passou 1 ano meditando. Nesse meio tempo tambem conheceu o Santo Daime. Purificacao; essa seria a melhor palavra para definir sua nova fase. Tomou uma decisao importantissima em sua vida. Teria que voltar a civilizacao para comecar uma faculdade, de Cinema. Primeiro dia de aula, introducao a psicologia. O professor entra na sala com um livro de um autor consagrado, Freud, Über Coca, e pergunta se alguem sabia do que se tratava. Um garoto grita: cocaina!

22.7.09

Afrodite

Mais uma noite de malhacao no morro. Napo estava descendo a ladeira ao lado de sua amiga Pedrita, depois de muita viracao, cachaca, po', crack e maconha prensada para rebater. Queriam ver o nascer do sol na pedra do Arpoador. No caminho, bateu a paranoia. Avistou uma mulher absurdamente linda, parada numa esquina. Mini-saia, salto-alto, bolsinha a tira-colo. Puxou Pedrita pelo braco e comentou: aquilo ali e' encrenca... e' informante da Policia. Pedrita, na hora replicou. Que onda mane'! Aquilo ali e' a Afrodite. 300 Reais a hora, caixa alta! Ta' maluco, mane', tu ta' e' na noia de novo! A mulher realmente chamava a atencao por sua beleza exuberante e charme. A cada 5 minutos um carro parava, mas nenhum alcancava o preco... Napo nao estava conformado. Se aproximou da "coisa" de supetao e foi logo encarando com os olhos arregalados, tipicos de quem estava "noiado". Ei, voce esta' aqui por alguma razao. Um carro parou entre os dois, e ela entrou em seguida. A conversa nao pode ser terminada. 3 horas depois, o rapaz ja' estava em casa matando o tempo antes de tomar os comprimidos de Lexotan para dormir. Sua leitura de cabeceira do momento era "Eu, Cristiane F., 13 anos, drogada, prostituida". Estava no capitulo em que a menina ainda estava nas pilulas... Coitada, pensou Napo. Foi lendo, lendo, lendo, mas ele ja' sabia o final da historia, pois ja' tinha visto o filme. Queria somente ter mais detalhes. Maldita heroina, feita do opio. A cada pagina lida jogava um comprimido de Lexotan na boca. A menina chegava em casa todo dia, e se trancava no quarto. Quanto tempo ate' sua mae descobrir o estrago? De quem e' a culpa? Ihhh, estou comecando a entrar na "noia" de novo. Foda-se! Encheu a mao de compridos, e dormiu pelas proximas 20 horas. Acordou sem fome para variar, mas foi ate' a padaria da esquina tomar, pelo menos, um cafe' com leite. Ele parecia um morcego jogado na luz; encolhido, se protegendo das luzes que refletiam no seu corpo. Chegando no balcao da padaria, pede seu cafe' e fica observando o movimento dos carros da rua em frente. Quando menos espera, avista a mesma Afrodite saindo da garagem de um predio luxuoso de classe media alta da cidade. Era uma mulher muito bonita, altamente persuasiva e extremamente sedutora. Diz a mitologia grega que Afrodite foi filha de Zeus. Ele jogou seus testiculos no mar e da espuma das ondas, nasceu a menina...

3.5.09

Carreira do pó

Quando era crianca, Napo sonhava em seguir tres carreiras. Isso mesmo, era uma crianca decidida desde pequena. A primeira delas seria chef de cozinha, pois precisaria estudar os alimentos, seus valores nutricionais, e estar sempre se atualizando, provando novos sabores. A segunda carreira seria artista de filme porno. Mas ele queria ser artista de filme americano, estrelando em locacoes californianas, com beldades internacionais, e ser conhecido por sua potencia "latina". Sua terceira profissao seria controlador de trafego aereo. Uma profissao onde o stress sobre os controladores pode afetar a seguranca do trafego nos aeroportos e acarretar em acidente. Portanto, boas horas de sono eram indispensaveis. Aos dezoito anos seus amigos resolveram lhe levar para fazer um teste vocacional e experimentar a primeira "carreira". No banco de tras de um passat 78, seu amigo lhe perguntou qual era seu "prato" preferido. Napo lhe respondeu de imediato: "Frango Assado". Seu amigo mostrou a receita: espelho no colo e varias carreirinhas de cocaina. Manda bala! Succao na narina... Ele nao tinha passado no teste vocacional dos amigos. Depois de algum tempo, nem comer ele queria mais. Aquilo tinha lhe tirado o prazer de comer. Que droga, pensou. Alguns anos depois, ja' em outra cidade, mais velho e magro, Napo, desapontado com a "carreira de chef", estava apostando na de filme porno. Por isso, estava apostado no cinema, quem sabe ali estaria seu futuro? Sim, teria que ir para os Estados Unidos estudar cinema! Chegando lah, encontrou o "perico". Muitas baladas, muito rock'n'roll, igualzinho como aparece no cinema de hollywood. Sexo, drogas e rock'n'roll. Parece ate' verdade, pensou. Manda bala! Succao na narina... Onde estah a vontade para fazer os filmes porno? E pior, para fazer o sexo? Resultado: reprovado novamente. Depois dessa, Napo estava revoltado. Os anos estavam passando, e seus planos de crianca estavam evaporando! Lembrou de Cazuza e comecou a cantar o "Tempo nao pa'ra". De volta ao Brasil, veio sua primeira overdose. Essa a gente nunca esquece. Com cocaina voce morre de duas formas: parada cardiaca ou asfixia. Napo foi fisgado pela mais lenta para variar. Saiu correndo pela cidade no meio da madrugada atras de um posto de saude para abrirem sua garganta. Passado o sufoco, voltou para sua ultima tentativa. A carreira de controlador de voo. Agora vou conseguir, pensou o rapaz, com esperancas de recuperacao. Nao adianta, numa de suas saidas conheceu a "Pedrita", garota do crack que morava na Ladeira Tabajara. E disse para ela: Voce sabia que eu quero ser controlador de voo? Hum, hum, concordou a garota. Ela pediu 5 Reais que era o "aviao" para buscar o bagulho e disse que ele iria controlar o voo bem direitinho. La' se foi sua ultima carreira; e com ela, os 3 prazeres que a cocaina lhe roubou... Ficaram 5 dias sem dormir vagando pela favela e tomando pinga.

4.4.09

Terminal 4 JFK

Napo tropecou numa mochila em frente ao balcao da TAM no terminal 4 do aeroporto JFK. Muito estranho, pois aquela cena parecia um deja-vu. Espera. Aquilo estava acontecendo, e aquela era sua mochila. Mas onde estava o resto de sua bagagem? Tudo comecou com um acido tomado um dia anterior no trajeto ate' o aeroporto. 5 de abril, voo previsto para as 21:40 horas de Nova York para o Rio de Janeiro. 3 horas da tarde foi o horario que o servico de traslado lhe buscou no hotel. Chega no aeroporto, documentos em maos, cartao de embarque, mochila, tudo despachado, que bom. Na medida do possivel, estava tentando curtir sua piracao, relaxado; distorcoes visuais, ate' entao, sob controle. Sentado, aguarda a chamada de seu voo... Entretanto, o pesadelo vai se aproximando, e o controle de seus sentidos vai lhe escapando de tal forma que comeca a sentir-se desidratado, tonto, e quando percebe que nem se levantar mais vai conseguir, pede auxilio a uma servente que passava. A moca apavorada com a expressao facial do rapaz, pensou o pior; e era mesmo: crise de panico! Em seguida, bem roteiro cinematografico estilo americano, aparece um policial para checar a documentacao, perguntar o que estava fazendo no pais, onde estava, etc. tipico para coloca-lo em situacao delicada, e pimba, algema nele! Jota estava em situacao irregular no pais, totalmente alucinado, vendo dragoes e lesmas imaginarias, tentando desesperadamente lembrar se tinha despachado suas malas. Por sorte o policial nao se aproximou o suficiente para ver a pupilas dilatadas de Napo, e se contentou com as respostas sinceras do rapaz acometido pela crise de panico. Nessa altura do campeonato, ele ja' tinha pulado para o outro lado do balcao da TAM e agarrou no braco da chefe de tripulacao: por favor, me coloca nesse aviao, ta' na hora de voltar pra casa! Nao adiantou nada seu apelo. Ja' estavam lhe aguardando uma equipe medica e o mesmo policial para lhe escoltar ate' o hospital mais proximo do aeroporto. A comissaria lhe perguntou se tinha dinheiro para pagar pelo atendimento medico. Napo pensou nos 2000 dolares que tinha guardado na mochila e disse: claro que nao tenho dinheiro, eu nao vou pagar para ser atendido, por favor eu estou bem, me joga dentro do aviao que ai' vou estar em territorio brasileiro! Puff, olhou na sua direita e viu um dragao alado passando, que susto, pensou! Nada feito disse a comissaria. Voce vai ter que pegar o voo de amanha que sai as 9:25, pois esta' sem condicoes de embarcar agora. Duas horas depois ja' estava perambulando nos corredores do aeroporto tentando encontrar novamente o balcao da TAM para o embarque que se daria dentro de "10 horas", mas seria uma longa busca. As palavras ja nao lhe saiam mais de sua boca. Suas maos criaram movimentos proprios, deformadas pelas veias saltadas. Ficava horas no banheiro observando seu simples urinar, e quando se dava conta, ops, estou entrando "numa onda errada", sai fora!, dizia para si mesmo. 6:30 da manha olhou no relogio deitado no chao em frente ao balcao da TAM do terminal 4 do aeroporto JFK. Tirou da mochila: passagem Nova York-Rio de Janeiro, 6 de abril de 2008.

21.3.09

Alcoolismo e drogas

Todo drogado no estado mais critico de seu vicio, diga-se, nas crises de abstinencias, e por menores que sejam seus lapsos de consciencia, desejam, ou enquanto duram esse lapsos, parar esse circulo vicioso. E quando nao "desejam" por voluntaria e consciente vontade, "desejam" por involuntaria e inconsciente overdose. Ou seja, de uma forma ou outra, terminam. Existem drogas que nao provocam crises de abstinencia, outras que provocam as mais terriveis possiveis; a questao eh usar? E' uma escolha, ou nao-escolha. Alcool e' um mundo totalmente a parte, uma outra dimensao. Sabado passado Napo foi a sua primeira reuniao do AA. Queria comemorar seu setimo dia de abstinencia. Nada melhor do que estar entre iguais. Na verdade procurou na internet algo que pudesse mais lhe confortar e dar apoio. A primeira busca trouxe varios resultados desde disturbios afetivos, prevencao ao suicidio ate' apneia. No final, ficou na duvida entre Narcoticos Anonimos e Alcoolicos Anonimos. Ficou com o AA, pois pensou: ah, quem usa alcool mistura com drogas mesmo, vamos nessa. Enfim, 7 horas da noite e' o encontro em frente a um edificio antigo. Aos poucos, as pessoas aparecem. Semblantes marcados, dentes careados, olhos arregalados, muitos cigarros, como substitutos ao primeiro vicio. Hora de subir ao terceiro andar, o sino toca. Todos sentados em circulo, comeca a terapia de grupo. Protocolo feito, cartas na mesa, comeca o falatorio. A palavra e' passada a Manoel. Obrigado, meu nome e' Manoel, sou um alcoolatra, estou sem beber a 6 dias. Ah, estou na frente desse! Pensou Napo. Depois a palavra seguiu e o retalho de troca de experiencias foi terminado. Entretanto, nesse sabado nao conseguiu voltar... Estava pensando no Manoel e a alegre e quase infantil maneira de externalizar sua vitoria de haver conseguido chegar ao sexto dia. Que ridiculo, imaginou... Virou-se, e comecou o festival de contorcionismo na cama, ate' conseguir controlar a fissura, os movimentos involuntarios da mandibula e os musculos do abdomen.

18.3.09

Bispo do Rosário

Napo marcou um encontro com seu amigo Bispo no MoMa de Nova York. Precisava de um anfitriao de primeira linha. A purificacao estilo "Rosario" tambem era pre-requisito. Uma semana tomando leite para limpar o organismo, como fazia o mestre quando estava no sanatorio. A outra parte consistia no LSD. Jota nao brincava. O Bispo do Rosario estaria lhe esperando na porta principal a 1 da tarde. Enfim, chega ao MoMa. Comeca vagando nos corredores, parando diante de cada obra, absorto, submerso, divagando, nadando, boca aberta, linhas abrindo, nuvens formando, deitado no chão, escada dependurada no teto, sentado no sofá, mãos na cabeça, tem que sair dalí, saia dai' Napo, agora! Bate a sede, corre em busca de um bebedouro, começa a caminhar, mantendo sempre o mesmo circuito? Sanatorio? Seria loucura? Tiram uma foto dele? Andando no MoMa sem rumo, não faz sentido, tem que existir uma saida; Ufa, la' esta' ela! Pois bem, agora, vai ser outra aventura para chegar onde quer, pois o corpo se separou da mente; como isso é assustador! O que fara'? Jota sussurra algo, tem medo; Bispo, onde esta' voce?! Pois bem, a saida vai ser agora, e vai ser de Metrô. Ufa, primeiro consegue sair do museu. Primeira vitoria! Mas tem que encontrar a estação mais perto. Começa a caminhar, caminhar, e quando mal percebe, esta' de cara com a entrada do Rockefeller Center, e de imediato, entra nesse imenso complexo subterrâneo. Porém, naquele momento, acredita que teve seu primeiro ensaio de surto psicótico ou, pelo menos, tentativa, pois, a imensidão daquele mar subterrâneo de luzes, holofotes, brancos, amarelos, imensos, balcões, elevadores, portas infinitas, escadas intermináveis, lhe deixavam cada vez mais desesperado, sufocado, ansioso.... E agora? Nadando do fundo do poço até a margem, num último suspiro, o ar saiu de sua boca num último lampejo, e ufa, encontrou uma saída! Ficou tão aliviado, que ficou uma hora colado ao lado da porta da estacao como um indigente, fumando um cigarro, com os olhos arregalados, as pessoas olhando aquele ser alucinado.... livre do "mar morto". A única solução seria tomar um táxi... Mas Napo pensou: como poderia fazer uma coisa que parecia tão simples para uma pessoa em sã consciencia? Nem pensou; pulou dentro de um táxi: "Please, take me to Lower East Side." No desespero, agarrou 15 dólares na mão, firme, colocou a carteira no bolso novamente.... No trajeto dentro do taxi, comecou a tentar se lembrar de tudo o que havia acontecido naquele dia e o que havia planejado para encontrar o Bispo do Rosario, desde a purificacao do leite ate' o acido.... ficou quieto por uns minutos: droga, ele me enganou de novo!

6.3.09

Happy hour

"Happy hour" significa, teoricamente, evento social para congregar funcionarios de uma empresa apos horario normal de trabalho. Para Napo, esse nome evoca "encher a cara"; e' so' bater a vontade. Nao precisa ser necessariamente social. Expediente terminado do estagio, no caminho da faculdade, decide parar no bar da esquina para dar uma calibrada. Mistura fatal: cerveja com aguardente. Dirigir o carro completamente embriagado e' uma das coisas que ele aprendeu e nao existe instinto animal e sexto sentido que explique, somente muitas vidas para contar. Trocando as bolas, duas horas depois consegue chegar no estacionamento da faculdade; vaga azul para os portadores de necessidades especiais. Que coincidencia! Saiu correndo do carro. A coisa mais ridicula que um bebado faz e' querer aparentar estar sobrio, mas seu estado, e "cheiro" de embriaguez era tao notorio que ate' uma crianca sentia. Estava cambaleando, enrolando a lingua, tremendo, deixando cair canetas no chao, etc. Decidiu abandonar a sala de aula, afinal nem sabia do que se tratavam aquelas ideias de Taylor ou aquelas invencoes de Ford de linha de producao. Comecou a sentir nauseas, mas sempre fazendo cara muito compenetrada, pois nao podia deixar ninguem "perceber" que estava embriagado, afinal so' estava um pouco "happy". Tudo estava muito bem, tudo sob controle. Isso tudo dentro da cabeca dele, claro. As coisas, quando se esta' anestesiado pelo alcool, parecem estar mais rapidas que voce, mas Napo tentou se recompor rapidamente. Quatro horas depois acorda. Sentindo-se melhor. Esta' abraçado. Luzes apagadas. Esta' abraçado ao vaso sanitario do banheiro da faculdade!

Personagens

Cassandra: tradutora que trabalha para importante editora especializada em livros de biografia e historia. Ela e' o tipo de pessoa que nao consegue se encaixar numa vida social normal; encontra, muitas vezes, no isolamente, sua fulga, e nos livros seu refugio.

Cassandra: a translator who works for an important publisher specialized in biography and history books. She is the kind of person who cannot fit in a normal social life; she finds, most of the times, in self-confinement,
her scape, and in books, her refuge.
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Napo: ex-filho de militar e roteirista de cinema cuja vida foi acabada pelo alcool e drogas. Esta' em constante conflito interno consigo mesmo: perturbado, afetado. Atualmente, vive de pensao do sindicato.

Napo: ex-military-kid and film screenwriter whose life was ruined by alcohol and drugs. He seems to be always in a long-lasting and permanent state of self-conflict. Nowadays, he lives from the Union's financial support.
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Garcia: cobrador de onibus e membro ativo do partido comunista. Possui ampla biblioteca particular sobre o tema, tornando-se inclusive referencia partidaria. As vezes, seu fanatismo torna-se tao paradoxo que passa a ser ate' mesmo romantico.

Garcia: bus driver and member of the communist party. He became a political reference in the party due to the large collection of books in his private library. Such a fanatic with paradoxical ideas that sometimes he is called "The Romantic".
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Franz: editor de guia artistico-cultural. Participa de projetos pelo mundo afora, geralmente patrocinado por ONG's para atualizar e trocar experiencias. Seu constante desafio e' nao deixar transparecer sua falta de sentimento "nacionalista".