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25.3.10

A perda de um irmão: 13 anos

Diario: Estamos em 1997, tenho 21 anos, e um futuro "promissor" me aguarda. Sou estudante de Economia na Universidade de Brasilia (UnB), estagiario no UNICEF, e vou passar ferias nos Estados Unidos. Que mais que eu quero para minha vida?!?  Nada mal para minha idade! Eu vou para a California em julho, e meus pais, ja' estao na Europa. Meu irmao esta' em seu quarto, lendo e escutando musica, como sempre. De repente, a luz "acende", e  nos damos conta de que estamos sozinhos em casa, eba!  Festa?! Nem tanto. La' estava ele de novo em seu quarto; agora com a namorada de sobrenome "Brilhante". Daniel e' doce, inteligente, um artista e principalmente carismatico. Tudo o que eu nao sou... como posso ser como ele!?! Hoje e' sexta-feira, entretanto, ele esta' diferente. Alguma coisa em sua feicao, uma paz e alegria imensa em seus olhos, algo que nunca vi antes. Esta' preparando sua bagagem para passar o fim de semana em Pirenopolis, na casa de amigos. Da cozinha escuto ele gritar se eu quero acompanha-lo, feliz, e diz que todos seus amigos, que eu tambem conheco, estarao juntos.

5.1.10

Perder medos

Um livro ensinava uma forma de perder medos. Quebrar as fronteiras de seu mundo, sair de casa, do bairro, da cidade, e enfrentar o desconhecido sozinho. Para comecar a jornada, um lugar deveria ser escolhido aleatoriamente no mapa ha uma distancia, de no maximo 500 quilometros, que pudesse ser percorrida em onibus. O proposito era fazer com que a pessoa criasse auto-confianca, exatamente o que Cassandra queria para sua vida, na epoca com 13 anos de idade. Estava em quarentena devido a uma hepatite, e seu tempo era dividido entre refeicoes e leituras. Sua maior qualidade, alias, era manter o habito de ler sempre; devorava todo e qualquer livro que aparecesse em sua frente. Nesse dia, por acaso, encontrou um livro de psicologia na estante de seu pai. Behaviorismo, Gestalt, reforco positivo, negativo, era um mundo completamente novo. Mas o que lhe chamou a atencao foi  a parte que tratava da "perda de medos".

3.1.10

Morrer de amor

Cassandra estava muito, mas muito angustiada. Alguma coisa estava lhe tirando a concentracao, a visao distorcia, suas forcas desapareciam. Levantar da cama era algo extremamente dificil, pois seus bracos e pernas pesavam toneladas... Esse simples despertar, lhe custava no minimo duas horas ate' conseguir chegar ao banheiro. E depois? Pensava logo. "Tenho que reagir" era sua resposta imediata. Mas nao conseguia! Ter ido a privada foi o unico que suas forcas lhe permitiram. Voltou para a cama e encontrou o livro "Veronika decide morrer" de Paulo Coelho. A historia de uma moca que tenta se matar com overdose de comprimidos, mas nao consegue. Acorda em um hospital, e o medico vem lhe dar a noticia: a tentativa de suicidio tinha lhe trazido danos irreversiveis ao coracao, e por isso, tinha no maximo 5 ou 6 dias de vida. Vitoria! Foi a reacao de Veronika.

28.7.09

Paz Mental

Cassandra toma remedios controlados, e todo mes tem que ir a farmacia busca-los. Ja' esta' conhecida como "aquela" que toma uma dosagem alta. Semana passada, entretanto, teve uma reviravolta no seu estado de "espirito". Ela mesmo nao se entendia, mais ou menos como se o seu raciocionio nao acompanhasse sua fala, ou pior; as pessoas nao conseguiam lhe entender. Virou um bicho no meio da selva. Mas um bicho solitario, incomunicavel. A propria Torre de Babel. A culpa foi dela mesma. Guardava um vidrinho debaixo do traveseiro e toda noite quebrava a metade do comprimido. Ah, estou me sentindo melhor, e hoje vou tomar somente a metade, dizia para si mesma. E todo dia seguia a mesma rotina. O vidrinho estava quase cheio. Seu comportamento tambem. Cheio de coisas estranhas. Comecou a ficar "acelerada". Desconfiada de tudo e de todos. Precisava de cafe para, talvez, amortizar esse sentimento. E desse aceleramento e do fato de ninguem entende-la, a reacao em cadeia, que era comecar a "brigar" com tudo e todos por qualquer coisa. Seu refugio foi a escrita, pois a linguagem falada ja' nao mais lhe servia. Escreveu, escreveu e escreveu sem parar... Mas tantas palavras, que para alguns fizeram sentido, mas para outros, ficaram estremecidos. Uma dessas pessoas sugeriu que gostaria tanto, mas tanto mesmo, que ela encontrasse a paz que "estava buscando", e que para isso, se confortasse em Deus. Porque Deus era Todo-Poderoso e certamente lhe traria essa tranquilidade. Mas para isso, ela teria que se "abrir" para ele, bla, bla, bla... Ela tinha encontrado a paz! Abriu a caixinha e tomou os tres comprimidos de Seroquel e os dois de Topiramato. Sem quebra-los.

Personagens

Cassandra: tradutora que trabalha para importante editora especializada em livros de biografia e historia. Ela e' o tipo de pessoa que nao consegue se encaixar numa vida social normal; encontra, muitas vezes, no isolamente, sua fulga, e nos livros seu refugio.

Cassandra: a translator who works for an important publisher specialized in biography and history books. She is the kind of person who cannot fit in a normal social life; she finds, most of the times, in self-confinement,
her scape, and in books, her refuge.
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Napo: ex-filho de militar e roteirista de cinema cuja vida foi acabada pelo alcool e drogas. Esta' em constante conflito interno consigo mesmo: perturbado, afetado. Atualmente, vive de pensao do sindicato.

Napo: ex-military-kid and film screenwriter whose life was ruined by alcohol and drugs. He seems to be always in a long-lasting and permanent state of self-conflict. Nowadays, he lives from the Union's financial support.
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Garcia: cobrador de onibus e membro ativo do partido comunista. Possui ampla biblioteca particular sobre o tema, tornando-se inclusive referencia partidaria. As vezes, seu fanatismo torna-se tao paradoxo que passa a ser ate' mesmo romantico.

Garcia: bus driver and member of the communist party. He became a political reference in the party due to the large collection of books in his private library. Such a fanatic with paradoxical ideas that sometimes he is called "The Romantic".
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Franz: editor de guia artistico-cultural. Participa de projetos pelo mundo afora, geralmente patrocinado por ONG's para atualizar e trocar experiencias. Seu constante desafio e' nao deixar transparecer sua falta de sentimento "nacionalista".